segunda-feira, 12 de setembro de 2011

FEIA


FEIA é um livro escrito pela Juíza Inglesa Constance Briscoe e que relata a triste história de sua infância sem amor e de sua volta por cima. Poderia colocar a sinopse do livro, seu enredo mais essa entrevista é perfeita para que nunca leu o livro entender o que ele relata. Nesta entrevista ela diz porque narrou em um livro agressões físicas e psicológicas que sofreu da própria mãe.

Confira abaixo a entrevista com a inglesa Constance Briscoe, de 52 anos, autora de "Feia - a história real de uma infância sem amor” (Ed. Bertrand). Após o lançamento do livro, a mãe da escritora, Carmen, tentou processá-la por causa da obra. Perdeu. (Entrevista retirada do site da revista brasileira Isto É!)

Por que a senhora resolveu falar abertamente sobre os abusos sofridos na sua infância?

CONSTANCE BRISCOE -
Sempre pensei em escrever sobre minha história. A primeira vez que fiz isso foi quando meu filho mais velho nasceu, em 1987.
Mas nunca passei do primeiro capítulo. Na época, resolvi apenas tocar a vida. Depois, escrevi porque gostaria que meus filhos conhecessem mais sobre minha luta e que eu não tinha vergonha do meu passado. Ao mesmo tempo, não desejava criá-los sob o estigma de uma mãe que sofreu abusos. Eles nunca poderão dizer que falharam na vida porque a mãe deles teve uma vida difícil.

Quantos anos a senhora ficou sem falar com sua mãe?

CONSTANCE -
Quando ingressei na universidade foi a última vez que falei com minha mãe, em 1979. Sem contar nosso encontro no tribunal, a vi em três ocasiões. Uma delas era o funeral do meu pai. Em nenhuma das vezes falei com ela.

Qual foi o maior trauma para a senhora?

CONSTANCE -
Eu não diria que ainda carrego traumas. Acredito que minha mãe é algo tão distante do meu passado que dificilmente me lembro do impacto que ela causou na minha vida. Mas minha maior dor era nunca ter vivido num lar decente. E saber que eu poderia ser uma péssima mãe no futuro como ela foi. Na verdade, não acredito que possa existir alguém pior do que minha mãe.

A senhora se submeteu a algumas cirurgias plásticas. Por quê?

CONSTANCE -
Tive algumas dificuldades para aceitar minha aparência, provavelmente por causa dos problemas com minha mãe. Eu mudei o nariz, a boca, os olhos e os pés.

A senhora definiria sua mãe como tóxica?

CONSTANCE -
Se isso significa ser incapaz de educar os filhos e fazer do lar um ambiente destrutivo, transformando a infância num período de medo, com certeza minha mãe é tóxica.

Acredita que cortar relações com pais abusivos é a melhor solução?

CONSTANCE -
Uma das razões pelas quais me tornei bem-sucedida é justamente ter saído daquele ambiente ruim bem cedo. Alguns de meus irmãos e irmãs, que permaneceram na casa da minha família, não se realizaram como poderiam. Há muitos casos de crianças que quando adultos venceram na vida porque foram retiradas de ambientes negativos o quanto antes. É um erro acreditar que o fato de uma mulher dar a luz faz dela naturalmente uma boa mãe.

Como a senhora se sentiu quando soube que sua mãe estava a processando por causa do livro?

CONSTANCE -
Assim que minha mãe descobriu que eu publicaria o livro sobre minha infância, ela tentou me impedir. Foi aos jornais dizendo que eu era uma mentirosa e que estava sendo vítima de uma maldade. Disse também que meu padrasto nunca havia encostado um dedo em mim, o que era mentira. Mas fiquei mesmo decepcionada foi com meus irmãos, que confirmaram o que minha mãe dizia. Isso porque uma das coisas que descobri, durante o julgamento, foi que ela abusou de outros filhos depois de mim. Arquivos do serviço social de Londres provam que minha mãe tentou colocar uma das minhas irmãs em um canil! Alegou que a menina era um cão! Como não conseguiu, botou minha irmã para fora de casa. No julgamento, ela negou. Mas os arquivos comprovaram.

O que seus filhos dizem sobre sua história?

CONSTANCE -
Eles compreendem. Agora, eles sabem os detalhes e têm um enorme orgulho e respeito por mim. A mãe deles, que veio do nada, começou do zero e venceu, é uma inspiração.

Como é para a senhora ser mãe hoje?

CONSTANCE -
Acredito que sou ótima mãe. Nunca bati nos meus filhos. Eles cresceram com espaço e apoio para se tornarem as pessoas que desejam ser.

Por que escolheu ser juíza?

CONSTANCE -
Porque quero julgar as pessoas de maneira justa, sem preconceito.

Voltando para escuridão


Essa manha acordo tendo no céu um Sol tímido e uma brisa fria que passa pelas árvores ecoando um som triste. Olho no espelho e não vejo nada além de um rapaz sem vida, olho para dentro dos meus olhos e não consigo enxergar nada além de especial exceto um enorme labirinto. Dentro desse labirinto há um garoto que corre de algo que não consigo ver mais que sinto que é aterrorizante. As paredes mofadas liberam um ambiente de solidão, um local que só da ao garoto uma ânsia de fuga subentendida. Ele corre desesperadamente mais o labirinto só aumenta, aumenta, sem fim. Depois de muita correria ele se depara com um espelho e consegue enxergar o que esta perseguindo-o. E entre gritos e muito desespero o garoto percebe que estava correndo dele mesmo. Assim como o amor, a falta dele afeta todo uma condição humana, e por mais que você corra é impossível esconder o garoto mal que existe em você. Um tigre por mais domesticável que seja um dia ficara feroz, um dia mostrara suas garras e isso não lhe fará mal, desobediente ou cruel. Isso não acontecerá porque o tigre é um animal selvagem por natureza, sua domesticação só aprisionou em um casulo de desespero a sua fúria que devia estar naturalmente livre. É isso que acontece com um ser humano que se prende em um mundo de mentiras. Uma hora o seu verdadeiro eu irá te perseguir e nem você mesmo conseguirá fugir porque ele faz parte de sua vida. Porque ele faz parte de sua história. Porque ele faz parte de você.


A verdade pode ser cruel, ingrata e infeliz mais é sempre o melhor caminho. Nunca se deixe cair no labirinto da mentira porque para entrar na escuridão do labirinto é muito fácil, mais para voltar da escuridão é um caminho sem volta.

Adriano Sanchez